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62% dos empresários consideram o grau de inovação no Brasil​ ​ baixo ou muito baixo

12/05/2015 - 12h05

Estudo inédito foi feito com cem líderes empresariais, mostra que  indústrias de pequeno, médio e grande portes pretendem aumentar investimentos nos próximos cinco anos

Seis em cada dez líderes empresariais que comandam negócios inovadores consideram que o grau de inovação no Brasil deixa a desejar. A conclusão está em pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizada com cem executivos – responsáveis pela tomada de decisão nas companhias que realizam projetos inovadores. Quando a pesquisa questionou a opinião deles sobre este tema, 54% responderam que o grau de inovação da indústria brasileira é “baixo” e outros 8% responderam “muito baixo”; 35% afirmaram “nem alto, nem baixo” e apenas 3% classificaram como “alto”.

Os empresários que consideram o grau de inovação “baixo” ou “muito baixo” justificaram as respostas. Para eles, o principal motivo é que o Brasil está atrasado em relação a outros países, reflexo de defasagem tecnológica acumulada ao longo dos anos. A consequência disso é que a indústria, muitas vezes, acaba por importar ou copiar o que é feito em outros países. De acordo com os entrevistados, falta cultura de inovação nas empresas brasileiras em geral. Eles também elencaram como entraves a falta de políticas de incentivo, a dificuldade de interação entre empresas e universidades e o baixo nível de educação dos profissionais.

“Esta pesquisa comprova a importância do papel da inovação para a sobrevivência das empresas no mercado global e a necessidade de um esforço para criar um ambiente favorável a negócios inovadores no Brasil. Sem dúvida, a inovação é o meio mais estratégico para a indústria crescer e colher resultados mesmo em cenários adversos como o atual”, avalia o superintendente nacional do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Paulo Mól.

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PANORAMA – O estudo da CNI foi feito com líderes de 60 pequenas e médias empresas e de 40 grandes. Os setores abordados foram de bens de consumo e de capital, químico e petroquímico, construção civil, farmacêutico, automotivo, eletroeletrônico, têxtil, digital, energético, siderúrgico e metalúrgico, mineração, celulose e papel. Além de mostrar a relevância no faturamento, a pesquisa revela que a inovação faz parte da estratégia do negócio em 99% das empresas consultadas. Entre as motivações para inovar, os empresários apontaram, em primeiro lugar, a vantagem competitiva. Também foi citado o aumento de produtividade, de lucro e de potencial de internacionalização.

Em relação à fatia do orçamento destinada a atividades inovadoras, a pesquisa revela que as empresas de grande porte investem mais que as pequenas e médias. No primeiro grupo, a maioria (37,5%) destina mais de 5% do orçamento à inovação; 10% indicam que o investimento está entre 3% e 5% do faturamento; em outros 27,5% o percentual é entre 1% e 3%. No segundo grupo, 21,7% apontam que mais de 5% do faturamento vai para inovação; 16,7% afirmam que fica entre 3% e 5% e a maioria (31,7%) dizem que o percentual está entre 1% e 3%.

Considerando a perspectiva da inovação no Brasil, os entrevistados deram notas a determinados temas, onde zero significava “péssimo” e dez, “excelente”. Na avaliação deles, a qualidade dos cursos de engenharia pontuaram 6,1; os sistemas de financiamento 5,3; a internacionalização de empresas e o acesso à pesquisa e desenvolvimento por pequenas e médias empresas tiveram nota 4,9; marco legal ficou com 4,6; a atração de centros de pesquisa para o país e propriedade intelectual ganhou 4,4.

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MÃO DE OBRA – Ao aprofundar o tema sobre recursos humanos para inovação, 89% dos entrevistados disseram que os profissionais recém-chegados ao mercado de trabalho não estão suficientemente capacitados. Importante ressaltar que 77,5% das grandes empresas e 46,7% das pequenas e médias buscam um perfil específico de profissional para fomentar inovação. Entre as características valorizadas estão pro atividade, criatividade e habilidades de comunicação. Além disso, procuram-se profissionais das áreas de engenharia, com formação técnica, pesquisadores e doutores e programadores.

Sob outro enfoque, a pesquisa da CNI traz os modelos de financiamento das empresas entrevistadas. No grupo das grandes, a modalidade de combinação de fontes é a realidade de 67,5% das empresas. Nessa combinação, de acordo com os empresários, estão recursos próprios, recursos captados de instituições públicas e de privadas, linhas de financiamento e parcerias entre instituições. Já nas pequenas e médias, 46,7% usam recursos próprios e outros 46,7% se valem da combinação de fontes.

“No Brasil, a empresa que quer inovar tem mais oferta de financiamento por linhas de crédito. E ter crédito disponível é essencial. Porém, nesses casos, é preciso devolver esse dinheiro depois. Isso afasta, por exemplo, micros e pequenas empresas, além de novos negócios. Quando falamos em inovação de resultado significativo, falamos de inovação radical e esse é um investimento arriscado. Por isso, defendemos a ampliação de recursos para financiamento na forma de subvenção, recursos não reembolsáveis, para estimular mais projetos de inovação. Isso irá incrementar o sistema de financiamento e estimular mais investimentos privados”, argumenta Paulo Mól.

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RUMO E MODELO – Apesar da expectativa de baixo crescimento para o país, os representantes das empresas estão otimistas quanto ao volume de recursos para inovação nos próximos cinco anos: 57% responderam que pretendem “aumentar” ou “aumentar muito” os investimentos. Outros 39% afirmaram que a tendência é permanecer como está.

Aos empresários, foi perguntado o que deve ser feito para aumentar a inovação na indústria brasileira. No que compete ao governo, eles disseram que, em primeiro lugar, é preciso simplificar tributos. Em seguida, citaram a necessidade de conectar empresas a universidades e a centros e pesquisa e desenvolvimento, além de investir em educação e facilitar a importação de equipamentos e tecnologia.

Os líderes empresariais também listaram ações que precisam ser tomadas pelo setor produtivo. A mais importante delas foi estimular a cultura e a capacitação de profissionais inovadores, ter mais visão estratégica e ousadia, aumentar investimentos em pesquisa e desenvolvimento e novas tecnologias, além de estreitar o relacionamento com universidades.

O estudo mostra ainda quais são as referências mundiais em inovação para os empresários brasileiros: os Estados Unidos aparecem como modelo principal. Depois, foram citados Alemanha, Coreia do Sul, Japão e China. “Essas são nações que consolidaram um ambiente favorável à inovação e, assim, estimulam os investimentos privados. Elas servem de inspiração. Aqui, os setores privado, público e a academia precisam trabalhar em conjunto para fortalecer a estratégia de inovação do Brasil”, conclui Mól.
 

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