Setembro Amarelo e a prevenção do suicídio – o que tem de novo? – Blog SESI de Saúde e Segurança
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Setembro Amarelo e a prevenção do suicídio – o que tem de novo?

No mês em que a Organização Mundial da Saúde – OMS e o Centro de Valorização da Vida – CVV, a nível de Brasil, elegeram para trabalhar a campanha de prevenção ao suicídio surge uma pergunta que não quer calar: o que tem de novo sobre o suicídio?

Com uma estatística que assusta, mas que só aparece em épocas de Setembro Amarelo, o suicídio se configura como o problema de saúde pública que mais afeta a população jovem. Infelizmente, os casos vêm aparecendo em estatísticas e noticiários com relatos de crianças e adolescentes aceitando os chamados “desafios virtuais”. Desafiados, arriscam suas próprias vidas e ainda filmam tudo. Interessante chamar a atenção para as campanhas sobre o suicídio que pouco fazem alusão a este fenômeno e não associam, muitas vezes, os jogos virtuais a uma prática suicida.

É reconhecido que falar sobre suicídio é desafiador. Principalmente quando o suicídio ainda é visto como um tabu e é uma das principais causas de mortalidade no mundo, sendo a terceira em brasileiros entre 15 e 29 anos de idade. Todos os anos, são registrados cerca de 12 mil suicídios no Brasil e um milhão em todo o mundo. Quase 100% dos casos de suicídio estão relacionados a transtornos mentais, em sua maioria não diagnosticados, tratados de forma inadequada ou não tratados de maneira alguma. Em primeiro lugar está a depressão, seguida do transtorno bipolar e abuso de substâncias, segundo dados da Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP.

A cada 40 segundos, uma pessoa comete suicídio e, a cada três segundos, uma pessoa atenta contra a própria vida. As taxas de suicídio vêm aumentando globalmente. Estima-se que até 2020 poderá ocorrer um incremento de 50% na incidência anual de mortes por suicídio em todo o mundo, sendo que o número de vidas perdidas desta forma, a cada ano, ultrapassa o número de mortes decorrentes de homicídio e guerra combinados. Além disso, cada suicídio tem um sério impacto na vida de pelo menos outras seis pessoas.

O Ceará é o estado com maior número de registros de suicídio no Norte e Nordeste e o 5º lugar no país. Cerca de 5.600 cearenses tiraram a própria vida entre os anos de 2011 a 2015 e Fortaleza ocupa o 3º lugar no ranking nacional com a maior taxa de suicídio, de acordo com o DATASUS. Em 2012, tínhamos 30 suicídios por dia no Brasil e, para cada suicídio, estima-se que há dez tentativas não consumadas. Os números são do Ministério Público do Ceará, em 2018.

É importante destacar que, a probabilidade de uma pessoa cometer suicídio varia num contínuo, que contempla a ideação suicida – pensamento acerca da possibilidade de cometer o suicídio; a tentativa de suicídio – gestos autodestrutivos não fatais; até o suicídio consumado. Mas, face a qualquer um desses grupos, naturalmente a questão central, seria saber o que motiva alguém a escolher terminar com a sua própria vida.

Em termos genéricos, o suicídio veicula o desejo de uma pessoa em escapar ou terminar com o seu sofrimento (que é resultante de variados problemas) e, por outro lado, o seu desejo em comunicar o seu sofrimento aos outros – é um pedido de ajuda. Além disso, cada pessoa tem os seus próprios motivos, muito particulares, profundos e extremamente dolorosos que a levam a ponderar desistir de viver. Uma mudança repentina nas suas circunstâncias de vida, tais como dificuldades financeiras, desemprego ou perda de status socioeconômico, mudanças no contexto familiar ou relacional (divórcio, fim de uma relação, morte de um familiar) ou ainda a sensação de isolamento, solidão e a ausência de horizontes ou projetos futuros podem constituir fatores relevantes.

No entanto, as notícias não são de todas ruins quando se fala sobre o suicídio, segundo o Centro de Valorização da Vida – CVV. Em 90% dos casos o suicídio, pode ser prevenido e as pessoas em sofrimento podem receber o acompanhamento adequado e a tempo de salvar suas vidas. Através da informação adequada, do investimento em políticas públicas mais eficazes e do combate dos estigmas em torno do tema, podemos reforçar os chamados fatores de proteção que constitui uma barreira a mais na luta contra o suicídio.

Não podemos deixar de reforçar que o acompanhamento individual é uma das formas de se criar um espaço em que o indivíduo possa se sentir seguro, compreendido e ajudado na procura de outras opções ou soluções para as suas dificuldades que não seja retirar a sua vida. Precisamos entender que falar sobre suicídio é um imperativo e não uma forma de incentivar a prática. Dessa forma, retiramos o suicídio da categoria tabu e passamos a enxergá-lo como um problema de saúde pública que demanda medidas urgentes.

Ana Karine Andrade

Sobre o Autor: Ana Karine Andrade

Formada em Psicologia pelo Centro Universitário Santo Agostinho – UNIFSA/PI e pós-graduanda em Gestão Pública em Saúde pela Universidade Estadual do Ceará - UECE. Atualmente é Psicóloga da área de Promoção da Saúde e Segurança e Saúde do Trabalhador do SESI Ceará.
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