Mais gestão em saúde ocupacional

Com a revisão da Norma Regulamentadora 7 (NR 7), o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) das empresas demandará ainda mais gestão em saúde ocupacional, posicionando os médicos do trabalho – e demais profissionais prevencionistas – junto às atividades de planejamento, execução, avaliação e controle dos riscos ocupacionais. Publicada no último dia 13 de março de 2020, a redação da nova normativa de controle médico das empresas fornece um prazo de 1 (um) ano para a entrada em vigência.

A nova NR 7 inaugura uma nova fase na atuação profissional de médicos do trabalho em todo o país, demandando um escopo de gestão ampliado e de mais responsabilidades, cujas diretrizes centrais para a gestão do controle médico estão elencadas como segue:

a) rastrear e detectar precocemente os agravos à saúde relacionados ao trabalho;
b) detectar possíveis exposições excessivas a agentes nocivos ocupacionais;
c) definir a aptidão de cada empregado para exercer suas funções ou tarefas determinadas;
d) subsidiar a implantação e o monitoramento da eficácia das medidas de prevenção adotadas na organização;
e) subsidiar análises epidemiológicas e estatísticas sobre os agravos à saúde e sua relação com os riscos ocupacionais;
f) subsidiar decisões sobre o afastamento de empregados de situações de trabalho que possam comprometer sua saúde;
g) subsidiar a emissão de notificações de agravos relacionados ao trabalho, de acordo com a regulamentação pertinente;
h) subsidiar o encaminhamento de empregados à Previdência Social;
i) acompanhar de forma diferenciada o empregado cujo estado de saúde possa ser especialmente afetado pelos riscos ocupacionais;
j) subsidiar a Previdência Social nas ações de reabilitação profissional;
k) subsidiar ações de readaptação profissional;
l) controlar da imunização ativa dos empregados, relacionada a riscos ocupacionais, sempre que houver recomendação do Ministério da Saúde.

gestão do PCMSO

Obviamente, a gestão do PCMSO continuará intimamente vinculada à gestão das demais normas regulamentadoras de segurança e saúde do trabalho, sobretudo às novas NR 1 (Programa de Gerenciamento de Riscos – PGR) e NR 9 (Avaliação e Controle das Exposições Ocupacionais a Agentes Físicos, Químicos e Biológicos). A ideia fundamental de tantas e tão amplas modificações se deram a partir da tentativa de atualização do referido documento legal às intensas e profundas transformações ocorridas no mundo do trabalho nas últimas décadas (a primeira versão do documento datava de 1978, tendo sido submetida a uma revisão maior no ano de 1994). As mudanças nos processos produtivos e na gestão dos conjuntos de trabalhadores nos mais diversos e variados setores econômicos geraram um novo perfil de adoecimento relacionado ao trabalho.

Com isto, e já antecipando uma tendência presente e futura, o médico do trabalho deve ser um profundo conhecedor do funcionamento dos processos produtivos e um gestor da saúde dos trabalhadores sob sua responsabilidade, saindo do consultório médico em direção à complexidade e à realidade concreta das atividades produtivas. Vivemos uma época em que os números da previdência brasileira sinalizam para um aumento (ou manutenção no topo do ranking) dos afastamentos de trabalhadores por transtornos osteomusculares e transtornos mentais e comportamentais, exigindo uma ampla e profunda reformulação das estratégias de ergonomia implantadas (ou ainda por implantar) nas empresas, bem como da gestão assertiva dos fatores de risco psicossociais.

A adequada gestão do controle médico e do absenteísmo, bem como da acidentalidade nas empresas possui relação direta com a carga tributária paga a título de contribuições previdenciárias e seus efeitos na gestão empresarial (SAT, FAP, NTEP). Por outro lado, detectamos de forma crescente o interesse das empresas em elaborar estratégias que otimizem os investimentos e os custos com a saúde de seus trabalhadores em uma perspectiva de sustentabilidade dos negócios, sem perder de vista o necessário cuidado com todos os trabalhadores.

A moderna gestão em saúde ocupacional pressupõe que o médico do trabalho seja um profissional capacitado e diretamente vinculado à saúde e à sustentabilidade financeira das empresas, com sólidos e amplos conhecimentos de gestão corporativa e de compliance tributário, trabalhista e previdenciário aplicado à gestão em saúde ocupacional, servindo como um verdadeiro consultor interno e externo na relação da empresa com os prestadores de serviços de saúde no mercado, atento às inovações em saúde e em formas de otimizar a saúde da população de trabalhadores sob sua responsabilidade sanitária direta e indireta.

Economia da Saúde

O estudo da Economia da Saúde nos coloca diante da realidade empresarial de que “saúde não tem preço, mas tem custo” e, desta forma, os recursos devem ser alocados da forma mais racional possível e sempre baseada nos melhores modelos de gestão em saúde ocupacional, com o olhar aberto e generoso sobre as diversas e inovadoras práticas e experiências em saúde nacionais e internacionais, como por exemplo, o já reconhecido trabalho desenvolvido no Centro de Inovação em Economia para Saúde e Segurança do SESI Ceará, ao realizar o cruzamento de dados e informações das dimensões “saúde”, “gestão” e “economia” para a indústria brasileira, lançando uma nova e vigorosa lente de análise para o mercado de gestão em saúde ocupacional brasileiro.

Em nossa atuação profissional cotidiana como médico do trabalho na Unidade de Segurança e Saúde para a Indústria (UNISSIN) do SESI Ceará, temos nos pautado pelo olhar atento na gestão em saúde dos trabalhadores de nossas empresas clientes, garantindo o devido cumprimento das normativas legais e o desenvolvimento de programas de saúde adaptados à realidade de cada indústria, com foco cada vez maior na gestão em saúde ocupacional que de fato agregue valor e mais saúde à vida das pessoas em seus ambientes de trabalho.

Um aspecto ainda por melhorar nesta nova versão da NR 7, e que pode (e deve, assim esperamos) aparecer no futuro, diz respeito às ações de promoção da saúde nos ambientes de trabalho voltadas ao bem-estar e à qualidade de vida no trabalho, bem como ao controle de doenças crônicas não-transmissíveis, condições que tendem a impactar de forma significativa os custos com saúde nas empresas.

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Métodos de classificação e regressão que ajudam na tomada de decisão – Blog SESI de Saúde e Segurança
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SESI
Métodos de classificação e regressão que ajudam na tomada de decisão

Atualmente, vivemos em um tempo onde estamos cercados de um grande volume de dados gerados pelo avanço da internet. São dados com valores significativos que podem ajudar as empresas a atuarem de forma preventiva, antevendo determinadas situações. Podemos considerar, por exemplo, um empresário de uma indústria que deseja identificar se os trabalhadores que têm uma vida sedentária estão produzindo menos durante o período de tempo de um mês. Nesse caso, podemos mensurar a quantidade de produtos produzidos pela indústria durante o período desejado e quais trabalhadores mantém uma vida de exercícios ativa e inativa. Assim, teremos uma predição assertiva que ajudará o empresário dessa empresa a investir em programas de qualidade de vida que possam promover as práticas de exercícios físicos necessários para melhorar a produção.

Desta forma, a análise preditiva pode ser utilizada, assim como ilustrado acima, para extrair informações de um conjunto de dados da empresa, a fim de determinar padrões e resultados futuros.

A análise preditiva pode ser entendida como um processo que permite descobrir o relacionamento existente entre os exemplares de um conjunto de dados, descritos por uma série de características (atributos descritivos), e os rótulos a eles associados (atributos de classe). A forma mais clara para entender o método de predição é partir de duas situações: se estamos querendo realizar uma predição caracterizada como regressão, a partir de dados numéricos, ou se estamos querendo realizar uma predição do tipo de classificação, que parte de dados categóricos.

A modelagem preditiva é realizada através de uma série de técnicas analíticas e estatísticas, utilizadas para o desenvolvimento de modelos que podem prever eventos futuros a partir de comportamentos diários, incluindo análise de séries temporais ou modelos de regressão. Existem diferentes formas de modelos preditivos que variam de acordo com o evento ou comportamento que está sendo previsto. Quase todos os modelos preditivos produzem uma pontuação. Uma pontuação mais elevada indica que um dado evento ou comportamento é muito provável que ocorra. A análise preditiva permite que as empresas utilizem Big Data para se deslocar de uma visão histórica a uma análise prospectiva do cliente.

Com o objetivo de trazer informações assertivas às organizações, essa metodologia utiliza mineração de grandes bases de dados de clientes – ou de segmento industrial ou banco de dados epidemiológicos – para prever eventos futuros. Essas ferramentas estatísticas servem para construir um modelo de classificação e modelo de regressão baseado nas informações de uma grande massa de dados históricos, possibilitando a visão de escores mais fortes para cada modelagem realizada, para assim, identificar um modelo com valores preditivos.

Ana Lívia Castro

Sobre o Autor: Ana Lívia Castro

Especialista em Inteligência de Mercado pela Saint Paul Escola de Negócios, bacharel em Estatística pela Universidade Federal do Ceará - UFC, cursando Formação de Cientista de Dados pelo Instituto Data Science Academy. Estaticista pelo Centro de Inovação SESI em Economia para Saúde e Segurança, atua com pesquisa e projetos de inovação em Saúde e Segurança do Trabalho na construção de análises de dados e estudos epidemiológicos dos trabalhadores das indústrias do estado do Ceará.
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