Abril Verde: prevenção de acidentes com foco nas indústrias siderúrgicas – Blog SESI de Saúde e Segurança
descer
SESI
Abril Verde: prevenção de acidentes com foco nas indústrias siderúrgicas

O site da Justiça do Trabalho (TRT) da 4ª Região (RS) 08/2020 registra que a cada minuto um trabalhador sofre acidente enquanto desempenha funções para as quais foi contratado. Baseado neste fato, em cada ambiente de trabalho pode existir um risco e cada risco pode ocasionar em um ou mais danos. 

Os riscos ambientais são classificados em Riscos Químicos, Riscos Físicos, Riscos Biológicos, Ricos Ergonômicos e Riscos de Acidentes. Eles estão presentes fortemente nas indústrias como um todo e na construção do aço especialmente, por ser uma atividade complexa com várias etapas até a conclusão do produto. 

Para entendermos melhor o que é uma siderurgia precisamos compreender que ela faz todo o processo de transformação, produção, preparação e fundição do aço. Entre as etapas estão: 

• Transporte da matéria-prima (minério) e descarregamento; 
• Pelotização – processo de aglomeração do minério de ferro que produz pequenas esferas cristalizadas; 
• Sinterização – aglomeração de finos de minério de ferro e de outros materiais complementares, como fundentes e finos de coque para carga do alto forno; 
• Coqueificação – diversos tipos de carvão mineral são misturados e aquecidos em alta temperatura; 
• Produção do ferro gusa – separação do metal contido no minério; 
• Produção do aço – modificação da composição química do metal; 
• Lingotamento – aço vazado nas lingoteiras e ao ser resfriado toma forma de lingotes; 
• Redução direta – produção de ferro primário sólido, a partir de minério de ferro e um agente redutor por exemplo, gás natural; 

• Fusão redutora – redução por carbono ou monóxido de carbono, dos óxidos de ferro em estado líquido para sólido. 

Por existir uma grande variedade de atividades é possível ter alguns riscos no local de trabalho, conforme os exemplos abaixo:

1. Riscos Químicos: gases como CO, CO2, H2S, SO2, NH3 e H2 liberados durante a operação e queima de combustíveis; poeiras e fumos metálicos no alto forno; presença do benzeno, substância cancerígena, em que requer um tratamento especial, em algumas siderurgias chama-se PPEOB, entre outros. 

2. Riscos Físicos: radiação não ionizantes no alto forno; ruído com os sopradores ou pelo arco voltaico atingindo níveis acima de 105dB; calor por exposições as altas temperaturas, especialmente em áreas de corrida de gusa e carregamento de carro torpedo; poeira de refratários proveniente da recuperação de panelas e conversores, entre outros. 

3. Riscos Ergonômicos: posturas inadequadas para realização de determinada atividade, como excesso de peso na movimentação manual de cargas, especialmente em níveis diferentes, escadas, rampas, estruturas, entre outros. 

4. Riscos de Acidentes: em transporte ferroviário, especialmente em passagens de nível com veículos e equipamentos móveis; corte na utilização de ferramentas e máquinas no processo produtivo; quedas em pontes rolantes, especialmente em acessos de entrada e saída são altamente perigosas e crítica); quedas durante as manutenções no que se refere as condições de desgaste de toda e qualquer estrutura a ser acessada. Siderurgias possuem alto nível corrosivo em suas operações nas estruturas metálicas; explosões; incêndios; vazamentos de gás e/ou de produtos químicos, entre outros. 

Ferramentas

A prevenção é uma das formas mais importantes de combate ao acidente e doenças relacionadas ao trabalho, podem ser utilizadas ferramentas para ajudar nesse processo desde que seja realizada de forma continuada, pois nela estão formas de conscientização, mudança de mente, cultura e melhorias. As ferramentas não existem somente como obrigação legal, mas para ajudar e auxiliar a indústria a preservar a integridade física e psicológica de seus funcionários. Quando um trabalhador se sente cuidado e amparado ele possivelmente melhora o rendimento laboral e sua qualidade de vida. 

Outra ferramenta que pode ser utilizada na prevenção é a valorização dos funcionários, como prática da gentileza, elogios, agradecimentos, reconhecimento de seu trabalho e de seus resultados, o que podem estimular na melhoraria das metas, além da realização de um bom trabalho. 

Segundo Bruno Mendonça, consultor e analista de Estudos do Great Place to Work Brasil, hoje, investir em questões de qualidade de vida vale muito mais do que uma remuneração e benefícios. “Em geral, são ações bem menos custosas para as empresas, e que dão muito mais resultado em relação a engajamento dos funcionários e atração e retenção de talentos”. 

Outros recursos também podem ser utilizados como o uso de ferramentas padrões que possivelmente ajudarão no controle ou amenização de acidentes, tais como: Análise Preliminar de Riscos (APRT); Elaboração dos programas legais de segurança do trabalho como Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), Programa de Prevenção da Exposição Ocupacional ao Benzeno (PPEOB), Programa Geral de Segurança (PGS); Calendário de treinamentos como um plano de ação específico a determinada atividade; Integração e capacitação aos trabalhadores envolvidos em atividades perigosas ou não; Levamento de Perigos Danos e Riscos (LPDR); Plano de Emergência e Desastre (PED); Check list antes das atividades rotineiras e não-rotineiras; Permissão de Trabalho (PT); Ginástica laboral; Inspeções de segurança, entre outros. 

A conscientização dos funcionários no que diz respeito ao resguardo de sua saúde física pode gerar uma mudança de cultura e isso requer tempo. A prevenção não consiste somente no mês de abril, mas sim em todo o ano, pois a vida do trabalhador é sempre mais importante. Desta forma, prevenir contribui para um ambiente de trabalho mais seguro, saudável e confiável. 

Vale lembrar

O mês de abril é dedicado a conscientização da importância da prevenção dos acidentes ocorridos no ambiente do trabalho e é no dia 28 de abril que soleniza o “Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho”, na qual é uma homenagem as 78 vítimas de um acidente em uma mina, na Virgínia nos Estados Unidos em 1969, foi criada pelos sindicatos canadenses e consolidada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 2001 e no Brasil em 2015 pela Lei 11.121/2015. 

Leandro Felipe Gomes Felipe Gomes

Sobre o Autor: Leandro Felipe Gomes Felipe Gomes

Técnico em Segurança do Trabalho pelo SENAI Ceará e Assessor técnico responsável por Brigada de Incêndio pela Neris Consultoria. Graduando em Arquitetura e Urbanismo pela Estácio FIC. Atualmente é técnico de Segurança do Trabalho do SESI Ceará, na unidade da Parangaba.
Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *