Abril Verde: indústrias da mineração – Blog SESI de Saúde e Segurança
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Abril Verde: indústrias da mineração

No dia 28 de abril, pessoas de todo o mundo celebram o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho. Além de lamentarmos as mortes, temos a oportunidade nesse mês de chamarmos a atenção da sociedade e do governo para os números alarmantes de acidentes e doenças relacionados ao trabalho, bem como discutirmos a aplicação e fiscalização das leis, e sobretudo o que fazer para minimizarmos tais índices que penalizam milhares de famílias todos os anos.

Segundo o Anuário Estatístico de Previdência Social do (AEPS) de 2017, o Brasil registrou um aumento de 3,47% no número total de acidentes de trabalho, saindo em 2016 de 557.226 acidentes para 579.951 acidentes registrados. Sabemos que esse número é muito maior devido à grande subnotificação dos acidentes em todo território nacional. Com base nesses dados, percebemos o quanto ainda temos a avançar em políticas voltadas para saúde e segurança do trabalho dentro das organizações.

Tomando como amostragem o setor de mineração, identificamos que o setor é o quarto em números totais de acidentes e o segundo com maior taxa de mortalidade. Entre os principais riscos inerente às atividades de mineração estão os deslizamentos que podem ocorrer durante a extração dos minérios e a inalação de poeiras minerais que provocam a silicose, doença respiratória que causa fibrose pulmonar. Já em relação aos riscos físicos, podemos citar as radiações ionizantes na mineração de urânio (usados em usinas nucleares para geração de energia elétrica) e o ruído (que são gerados em alguns equipamentos, como os de britagem e moagem). Tais riscos podem ser evitados se houver uma gestão adequada, intervindo prioritariamente nas fases de projeto, a fim de minimizar possíveis falhas durante a execução das atividades.

Na gestão dos riscos dentro da indústria da mineração, temos como ferramenta principal a Norma Regulamentadora 22, que trata da Segurança e Saúde Ocupacional na Mineração. Como pontapé inicial para atender à NR 22, a empresa deve elaborar e implementar o PGR – Programa de Gerenciamento de Riscos, que visa realizar o levantamento dos fatores de riscos físicos, químicos e biológicos, bem como riscos de acidentes, ergonômicos e organizacionais. Além do levantamento de riscos, o PGR deve conter ferramentas de gestão, como por exemplo o plano de emergência, plano de proteção respiratória, investigação e análise de acidentes de trabalho, recomendação dos equipamentos de proteção individual de uso obrigatório e procedimentos operacionais visando garantir a estabilidade de maciço.

Os profissionais prevencionistas têm muito trabalho a fazer, sendo o principal deles a conscientização, que vai desde os colaboradores – fazendo-os compreender os requisitos que devem ser seguidos visando à sua própria segurança – bem como os empregadores, que por vez podem ser penalizados com custos diretos (indenizações, multas, interdições) e indiretos (imagem da empresa, alíquota do FAP), além do próprio governo com custos previdenciários.

Thiago da Silva Moreira

Sobre o Autor: Thiago da Silva Moreira

Graduado em Engenharia Civil com especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho e formação técnica em Segurança do Trabalho. Atualmente é Engenheiro de Segurança do Trabalho na unidade SESI Ceará em Sobral.
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