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A campanha Janeiro Branco e a promoção da saúde mental

Janeiro é um mês que inspira mudanças e o desejo de realização. É o momento para iniciar planos e projetos que não aconteceram no ano que se findou ou que surgiram após reflexões e experiências de vida. É, também, o mês escolhido para a realização da campanha nacional em prol da promoção da saúde mental, conhecida como Janeiro Branco, que foi lançada em 2014 na cidade de Uberlândia, Minas Gerais. A ideia foi inspirada na Campanha Outubro Rosa e inicialmente foi idealizada e promovida por Psicólogos e estudantes de Psicologia, no entanto, nos anos seguintes ganhou proporções maiores e passou a contar com um número maior de categorias profissionais e adeptos das mais diversas áreas.

Por janeiro trazer o simbolismo do recomeço e da possibilidade de mudanças e realizações acabou sendo a escolha perfeita para se falar e promover a saúde mental, uma vez que saúde mental, também, está ligada à nossa capacidade de se renovar, reinventar e nos permitir lidar de maneira adequada e equilibrada com os desafios que surgem. Com isso o objetivo da campanha é promover a saúde mental através de ações e atitudes voltadas para a verdadeira felicidade do ser humano, para a busca de valores mais humanos e menos materialistas que promovam a construção de recursos emocionais mais eficientes na busca de um bem-estar biopsicosocioespiritual.

A ideia de realizar uma campanha em prol da saúde mental surgiu da preocupação dos profissionais da saúde, em especial de psicólogos, com os casos crescentes, a partir dos anos 2000, de suicídios, depressão e ansiedade em todo o mundo. Hoje já se sabe que um em cada dez pessoas no mundo precisará de cuidados com a saúde mental, segundo dados da Organização Mundial de Saúde. Nos últimos dez anos, os casos de depressão no mundo aumentaram 18%. A OMS prevê para este ano a depressão como a doença mais incapacitante do planeta, sendo o Brasil recordista em casos de transtornos de ansiedade e campeão em casos de depressão na América Latina.

As ações do Janeiro Branco, neste sentido, são voltadas para a prevenção de tais transtornos e principalmente voltado para a prática do autocuidado e desmistificação do adoecimento psíquico através da Psicoeducação. Exemplos de ações que acontecem durante esse mês nos mais diversos estados do país são: palestras relâmpagos de vinte minutos em espaços público como salas de espera de clínicas, hospitais, terminais de ônibus, filas de casas lotéricas, pátios de escolas, restaurantes populares, entre outros. Além das palestras-relâmpagos existem ainda ações através de rodas de conversas, dinâmicas interativas, exibição de filmes sobre Educação e Saúde Mental em escolas, distribuição de poesias em ampolas em praças públicas, caminhadas em parques e avenidas, exposição de arte e oficinas artísticas em comunidades terapêuticas, CAPS e hospitais-dia.

Importante destacar que a Campanha chega a sua oitava edição e em algumas cidades brasileiras, como Campinas (SP), Goiânia (GO) e Estados como a Paraíba, Pernambuco e Paraná a campanha Janeiro Branco é amparada por lei que garante a obrigatoriedade de ações educativas voltadas para a prevenção e promoção da Saúde Mental.

Diante do exposto fica evidenciado que falar sobre saúde mental, e mais do que isso, promover e divulgar ações em saúde mental se faz necessário em todos os meios e locais como uma maneira de tornar o mundo um lugar melhor para se viver e cultivar relações mais saudáveis que promovam reflexões verdadeiras sobre o real sentido da existência e que levem as pessoas a revisitarem seus propósitos e a qualidade de seus relacionamentos consigo mesmas e com o mundo.

Ana Karine Andrade

Sobre o Autor: Ana Karine Andrade

Formada em Psicologia pelo Centro Universitário Santo Agostinho – UNIFSA/PI e pós-graduanda em Gestão Pública em Saúde pela Universidade Estadual do Ceará - UECE. Atualmente é Psicóloga da área de Promoção da Saúde e Segurança e Saúde do Trabalhador do SESI Ceará.
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